Pular para o conteúdo
Menu
Início / Posicionamento Pessoal e Empresarial
Posicionamento Pessoal e Empresarial

Posicionamento empresarial: ser lembrado na hora da compra

Conhecimento não gera venda. Veja por que o posicionamento empresarial certo faz seu nome vir primeiro na mente do cliente na hora da decisão.

Link permanente

Sua empresa pode ser conhecida por muita gente e mesmo assim perder a venda no momento em que o cliente decide. Isso acontece porque existem duas memórias diferentes na cabeça do comprador: a memória da marca e a memória da hora da compra. A primeira diz “eu conheço essa empresa”. A segunda diz “quando eu preciso disso, é ali que eu vou”. Posicionamento empresarial bem feito trabalha a segunda.

Este artigo mostra por que ser lembrado na hora certa vale mais do que ser famoso, como os gatilhos de compra funcionam na prática e o que fazer para o seu nome vir primeiro quando o cliente sentir a dor que você resolve.

Conhecido não é o mesmo que lembrado

Existem empresas que todo mundo do setor conhece e que ficam de fora dos contratos. O motivo é simples: conhecer é uma coisa, lembrar no momento da decisão é outra. O cliente só compra de quem vem à mente quando a necessidade aparece.

Pesquisas de comportamento de compra, como as consolidadas por Byron Sharp em How Brands Grow (2010) e pelo trabalho de Jenni Romaniuk em Better Brand Health (2018), apontam um padrão consistente: marcas que crescem são as que conseguem estar presentes na mente do comprador nos momentos em que a categoria é acionada. Não é sobre ser a preferida declarada. É sobre ser a lembrada na hora H.

Na prática, isso muda o jogo. Se o seu nome não vem primeiro, você não entra na lista. E quem não entra na lista não disputa preço, nem prazo, nem escopo. Simplesmente não disputa nada.

O que é a “hora da compra” e por que ela decide tudo

A hora da compra é o momento em que a necessidade do cliente fica clara e ele começa a procurar solução. Romaniuk chama esses momentos de category entry points, os pontos de entrada na categoria. Cada categoria tem vários deles, e a marca que ocupa mais desses pontos vende mais.

Exemplos de gatilhos de entrada em categorias reais

Uma empresa de contabilidade não é lembrada “de contabilidade”. Ela é lembrada quando acontece algo específico: o faturamento passou de um teto e abriu obrigações novas, o sócio quer tirar o CNPJ da informalidade, uma fiscalização chegou, o caixa fechou no vermelho por três meses seguidos. Cada um desses eventos é um ponto de entrada.

O mesmo vale para uma agência de marketing. O cliente não procura “marketing”. Ele procura quando o funil seca, quando o concorrente aparece com força no Instagram, quando o investimento em tráfego não fecha conta. Quem está associado a esses gatilhos específicos recebe a ligação. Quem fica na mensagem genérica de “fazemos marketing digital” fica esperando.

Como construir lembrança na sua categoria

Construir presença na hora da compra é um processo de associação repetida, não de criatividade pontual. O caminho tem quatro movimentos.

1. Mapeie os gatilhos reais dos seus melhores clientes

Olhe para os dez melhores clientes que você já atendeu e pergunte: o que aconteceu na empresa deles nos três meses antes de procurar você? Liste os eventos. Você vai encontrar padrões, e esses padrões são os seus pontos de entrada verdadeiros, não os que o marketing acha bonito.

2. Associe o nome da empresa a esses gatilhos

Cada peça de conteúdo, cada proposta, cada conversa comercial deve ligar a sua marca a um evento concreto. Em vez de “soluções em gestão”, fale sobre o que fazer quando a equipe cresce e o processo começa a quebrar. Em vez de “consultoria estratégica”, fale sobre a decisão de abrir capital ou de cortar um produto que dá prejuízo. Especificidade grava memória.

3. Repita a mesma associação por muito tempo

A memória de marca se constrói por repetição com consistência. Trocar a mensagem a cada campanha zera o acúmulo. Escolha dois ou três gatilhos e fale deles durante anos. Pare chato para você. Para quem está fora, é chamado de posicionamento.

4. Seja fácil de lembrar e fácil de encontrar

Nome claro, promessa curta, presença estável nos canais onde o cliente pesquisa. Se a pessoa lembra de você mas não acha seu site, seu telefone ou seu perfil em trinta segundos, ela compra de quem aparece primeiro na busca.

Erros comuns que apagam a lembrança

Falar de tudo para não perder ninguém. Quando a empresa fala com todos os públicos ao mesmo tempo, nenhum público a registra como relevante. Generalismo dilui memória.

Trocar de mensagem a cada semana. Uma semana é de preço baixo, outra é de inovação, outra é de atendimento premium. O mercado não consegue guardar uma ideia dessa lista. Sem repetição, não há posicionamento, há ruído.

Medir só alcance e ignorar associação. Muita impressão com mensagem genérica não constrói lembrança de categoria. Vale mais uma peça pequena e específica que grifa o seu nome a um gatilho do que uma viral que ninguém conecta ao que você vende.

Copiar o concorrente que está na frente. Se você imita a liderança, reforça a liderança. O cliente que vê mensagens parecidas lembra de quem já conhecia antes, não de quem chegou depois com a mesma fala.

O custo invisível de não ser lembrado

Quando o seu nome não vem à mente na hora da compra, duas coisas acontecem. A primeira: a venda vai para quem foi lembrado. A segunda, mais silenciosa: quando você entra na disputa por indicação ou por busca, compete com desvantagem e tende a fechar por preço menor, porque perdeu o fator confiança que a lembrança antecipada cria.

Empresa lembrada negocia escopo. Empresa desconhecida negocia desconto. Essa é a diferença prática entre ter posicionamento e ter apenas um site no ar.

Perguntas frequentes

Ser lembrado não é coisa de marca grande, com mídia em massa?

Não. Lembrança de categoria é proporcional à clareza da associação, não ao tamanho do orçamento. Uma empresa pequena que fala de um gatilho específico por dois anos consegue ocupar esse ponto de entrada melhor do que uma grande que fala de tudo.

Qual a diferença entre notoriedade e disponibilidade mental?

Notoriedade é a porcentagem de pessoas que reconhecem a marca quando perguntadas. Disponibilidade mental é a chance de a marca ser lembrada espontaneamente em uma situação de compra. A segunda é o que movimenta receita.

Quanto tempo leva para construir essa lembrança?

Depende da intensidade e da consistência, mas a lógica é de meses e anos, não de semanas. Quem procura resultado em trinta dias geralmente desiste antes da memória se formar e troca de mensagem, recomeçando do zero.

Posicionamento por nicho ajuda a ser lembrado?

Ajuda muito. Quando a empresa escolhe um recorte, concentra todas as repetições em poucos gatilhos. A memória se forma mais rápido e mais forte do que na estratégia de abrangência.

Fontes

  • Byron Sharp. How Brands Grow: What Marketers Don’t Know. Oxford University Press, 2010.
  • Jenni Romaniuk. Better Brand Health: Measures and Metrics for a How Brands Grow World. University of South Australia, Ehrenberg-Bass Institute, 2018.

Se este tema faz sentido para o momento da sua empresa, acompanhe o Felipe no Instagram, onde ele fala de posicionamento, vendas e operação com mais frequência: https://www.instagram.com/felipebelloni.